"NUM" BAR

Quando a última cerveja acabar
Ainda estarei a esperar
No mesmo que lugar que deixou
Alguém, que por ti chorou.

Eras a parte 
Da metade
Que faltava
Mas, na verdade
Não faltava
Estava ausente
Ou não estava.

Senão por um minuto
No último gole que restara
Já faltavam as palavras
As linhas escritas, apagadas.

E na mesa restava:
Um retrato partido
Rasgado e cuspido.
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ENQUANTO DORMIMOS

O tempo muda distante
Passa lento,
Passa constante,
E a única certeza,
É que é certo passar.

Passa ligeiro, quem sabe
E quem não quer esperar?
Vive correndo do tempo
Do tempo que vai passar.

Vai um dia chegar o tempo
De não conseguir lembrar.
Do tempo que foi passado 
Deixado, inacabado...
E não vai ter por quem chamar.
PARTÍCULA APASSIVADORA

Se um dia eu me for
Deixe-me ir, por favor.
Teus olhos encherão de lágrimas
E eu, perderei as palavras.

Se a porta estiver aberta
Que esteja, de forma sincera.
Se o caminho no meio partir
Saberás por onde ir.

Foste a ternura mais linda e verdadeira.
Um emaranhado de ilusões, a noite inteira.
Dos Cem Sonetos de Amor* que a ti cantei
Nenhum chega perto, dessa insensatez.

E se um dia tu partir
Os Sonetos que cantei
Não terão chegado ao fim.

O meio do caminho andado
Terá início, meio e fim.
Mas um fim não esperado
De alguém, que no passado
Viverá dentro de mim.


*Referência a Pablo Neruda

TERM

Herança de poeta.

Incrivelmente como tua alma está descrita aqui, és um grande poeta, obrigada por seguir o Pequeno Pedaço de Poesia.

Kiko Simões

Não que eu me lembre do ultimo beijo,
mas lembro.
Não que eu me faça de bobo,
mas faço.
Todo sorriso é traço marcado
que anoto nesse velho diário

Toda água que cai é pranto
diverge da água o retrato
que me lembra de seu desencanto
sem molhar com a água do passado

Fina flor em seu desabrochar,
ignorada pelo teu olhar.
Fina manta pra cobrir
todo esse frio que me roubou o brio.

Vomitando todo esse sentimento
Semi oculto assim como vento.
Descontando na ponta da caneta
essa armadilha em forma de letra.

Minha herança e toda esta
sentimentalizar é tudo que resta
e fingir que nada disso me afeta,
mas pra quem sabe ler, está escrito na testa.

Ver o post original

Uma operação delicada
Que não sei o que mais causa dor.



Meu desajuste em me costurar
                  Ou o vazio,
                  Que você deixou.
Por:Gel
Um R- ab -ISCO

Quem sabe um sorriso forçado
Um abraço apertado
tome conta de mim.

Quem sabe
Sair do sufoco
Uma carta, Um esporro
Que venha falar a mim.

Não eras menina carente
sorriso inocente
Pureza sem fim?

Queria um pai ao seu lado
Um presente ao contrário
Uma casa e jardim.

Pudera falar coisa à toa
Uma palavra, uma frase
Oração distorcida
Pra mim.

Viver e pensar de repente,
Que a vida da gente
Tem hora e tem fim.

Quisera ser apenas
Um rabisco,
Um risco, 
No infinito
Assim.
TRADUZ - INDO

Traduzindo a parte distorcida de ti
Encontrei idiomas jamais falados.
Dentro dessa tradução
Traduzi tua língua
E os termos mais ousados.

As palavras eram difíceis decifrar
Pois jamais eram faladas
Tinha que adivinhar.

As vezes, sabia qual verbo conjugar.
Mas não conseguia
Uma oração completar.

Era o sujeito mais difícil de falar.
E foi desse jeito
Que consegui me apaixonar.

Não teve outro jeito.
Fui tentar decifrar
A linguagem e silêncio
Que seu amor me fez passar.

E com resultado disso
Uma gramática fui consultar
Pra ver se a "linguagem silêncio"
Existia em algum lugar.

Me pus então a folhear...
Mas nada iria encontrar
Pois, se não havia palavras
O que estava a procurar?

Me pus então a chorar...
Pois a certeza que tinha
Era que o amor, 
Não tinha nada a me falar.

Foi então que pensei:
Mas o que quero escutar?
Se as palavras que não saem da boca 
Em algum lugar devem estar.

E foi bem devagar
Que encostei o ouvido
Do lado esquerdo do peito
Que estava a pulsar.

Então senti
O que não preciso decifrar
Pois teu coração falava por ti
Tudo o que querias falar.
DOIS EM UM

Meu coração não fala
Mas certamente, se falasse
Falaria contigo;
Nos escombros mais profundos
Encontraria um abrigo
Te pediria um sorriso
Ou quem sabe um "foge comigo?"
Buscaria em teus braços
A sorte que nos deixou
Cantaria contigo
Mil e um versos de amor
Te faria um pedido
E se fosse possível,
Acabaria comigo
Numa cama quebrada
Molhada de suspiros.


ALGUÉM

Eram as flores que desabrochavam
Quando abria os olhos 
Que com o gosto salpicado de desejos
Do suor da meia noite
Fazia brotar do olhar
Uma cor intensa
Ao acordar.
Fazia-me versos
Cobria-me nas noites de frio
Beijava meus pés como um vício.
Suplicava por desejos proibidos.
A cegueira cobria os olhos
Que não nos deixava acordar
era um sonho infindo
Cheio de delírios, mentiras;
Ossos squebrados
E dentes cerrados.
Tirava o sossego da vida
Por ser bicho solto
Fazia o que queria;
E no mês de janeiro envelhecia.
Dividia a cama com a solidão,
Chorava escondido nas tardes de verão,
Fingia sorrir
Enquanto uma faca
Apunhalava seu coração.
O cotidiano, agora serve de inspiração.
Servindo para desatar os nós do passado
Intermitente, latente, consequente...
Sim, a Solidão, o Vazio...
Esse que preenche os tapumes
Do medo da emoção.

INVASÃO DE PRIVACIDADE

JÁ TE INVADIRAM DORMINDO?
COM TUAS PARTES À PARTE
NUMA CAMA VAZIA 
ISOLADA A METADE 
E UMA MÃO INVASIVA
TOCANDO ESSAS PARTES...
         NÃO TE PEDIRAM PERMISSÃO
         NEM POR FAVOR
         OU COM LICENÇA
E VOCÊ SÓ ESTAVA DORMINDO
SONHANDO INCOSCIENTE
PERDIDA COM AQUELA MÃO
TOCANDO INSISTENTEMENTE.