Eu queria o beijo
    que você não soube dar
             Agora do meu beijo
Você quer provar.
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DESPERTAR


Agora sou o herói
Dessa vez
Chegou o tempo
De despertar em vocês.

Uma realidade que se vive
E o conceito
Puro
Sobrevive.

Mas não se vive.
Por quê não vê?
Só se ver 
O que se quer.

E a cegueira
A despertar
O que todos vivem
Mas não se quer enxergar.

A pobreza e a miséria
Irmãos, vou lhes falar:
Ela existe, não se engane!
E não adianta camuflar.

Pare um pouco e, observe...
O que está a te olhar.
É tanta gente com fome
E sem ter por quem chamar.

Crianças morrendo nas pontes
Nas beiras dos rios 
Com fome.
Nas valas e asfaltos
Essa realidade constante.

Que você cobre com um véu
E esconde,
Por detrás "dum" chapéu.

Agora, vamos lá;
Abra os olhos
tente olhar
nem todo mudo quer ver
Não é bonito apreciar
Ver a miséria do povo
E a tristeza exaltar.
DISPERSÕES

A vida caminha depressa
Sem rumo, dispersa.
Sem lírios e canções.
Pra quem vive 
Em asilos e prisões.

As vezes passa devagar...
Pra quem está a esperar
Numa cama,
Sem hora "pra" acordar

E quem está chorando
Sem ter a quem chamar?

Está apenas esperando 
Alguém aparecer 
Pra lhe adotar.

Outrora,
Uma criança carente
Tampouco contente
Feliz sem saber porquê.
Vendo todo dia alguém morrer.

Mas morre por que quer?
Não, apenas morre.
Com um prego
Furando a sola do pé.
SOCIOHUMANOLÓGICO

O homem sociológico
Vive sempre a pensar
Pensa pra se perder 
E perde por esperar

Quando a tristeza bater
E a esperança acabar
Na sociedade a viver
o triste fim, que está a lhe esperar

É tanta construção no mundo
tanta pureza à quebrar
E a certeza da vida 
Que o homem sociológico
Não chega, a nenhum lugar.

É TEMPO DE ENVELHECER

Olhar para o relógio 
E ver a hora passar
Passa ligeiro, depressa
Sem precisar esperar.

Não ter para quem dizer 
Não ter para quem falar 
Que o tempo esta passando
E a hora, não vai parar

Sentir o rosto pequeno
E ver a boca murchar
Os olhos desaparecendo 
As rugas tomando o lugar.

O cabelo embranquecendo
As mãos não conseguem pegar
Os pés sempre doendo 
O corpo a rastejar 

Meu Deus, o que esta havendo?
O espelho envelheceu
O sorriso que estou vendo
Esse, não é o meu.

O tempo já respondeu
Tudo o que aconteceu
Não tem como esconder 
A velhice esta chegando
E já não dá pra correr.