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NOSSO AMOR

Iluminai meu coração 
Tira essa culpa
Se quiser. Tira todas as emoções.
Deixa-me NUA.

Salva meu corpo.
Estilhaça minha carne
Dai-me um gozo.
E me põe em teus braços pra chorar.
Sem fazer nenhum esforço.

Coloca-me dentro da tua boca.
Mastiga meus ossos
Junto com minhas falhas 
Me cospe num copo.

Vê o que restou?
Apenas meus destroços. 
Ossos quebrados
E um pouco de amor.
PAI

Tanto tempo sem te ver
Quase esqueci de você.

Esperei um dia
Na porta, vir bater.

E quando lembrei que existia
A saudade voltou a doer.

O tempo passa 
Cada vez mais depressa
E não tenho lembranças.

Uma caminhada na praia
Uma conversa na calçada
Ou me fazendo tranças...

Tanta falta tu fizeste
Que meu corpo esmorece

Quando me ponho a lembrar
Chorando
Simplesmente 
por não ter o que contar.


SOUL

Nenhuma alma
Do acaso se encontra
Nenhum suspiro
Do acaso sai do peito
Foste meu caminho
Alegre e satisfeito.
É você meu vício
Minha dose de suplício.
Meu ciúme sucumbido
Um encontro perfeito!
Sou entregue ao teu jeito
Em tu'alma fiz morada.
Fiz espumas flutuantes.
Virarem a nossa casa.
E nesse encontro de almas
Resta alguma esperança
É nela que vou me guiar.
Sei que existe a chance.
Dentro do teu coração. 
Para sempre quero estar.
Mesmo estilhaçada, aos prantos.
Sabendo que não mereço
Tanto, do teu encanto quanto.
Abrir os braços e sorrir
Chorando, limpando o peito.
Ser o que resta
Dentro de ti
A tua alma 
Em(volta)
Teu destino secreto
Quero contigo seguir.
SINFONIA

Cantando encontrei essa força
Olhando as ondas do mar
Vi a água se diluindo
O deserto formando
Muitos a chorar

A melodia tão bela
Cada nota é divinal
Todos os seres divinos
Em um mesmo tom
Na orquestra do astral

Fechamos os olhos sorrindo
Dentro dessa união
Olhando a lua brilhar 
Todos na mesma direção

Agora abrimos os olhos
Sentimos o som do amor
Vamos todos nos perdoar 
E dar o nosso valor.

 

RESTO

No mundo de tantas mentiras
Fingimentos todo dia
De verdades malditas
De culpas arrependidas
De fracasso todo dia
O que resta é poesia.

Não se tem com quem falar
Não se tem pra quem dizer
Às vezes a incerteza bate
E o ferido, é você.

Mas nós temos a palavra
Uma forma  de dizer
Expressar o que sente
O que sua mente consente
Dentro do mundo descrente
Que não dá pra entender.

Então FAÇA POESIA!
Se nela você crê.
Veja as razões da vida
Transformando-se em rimas
Que só você vai saber.



OFÍCIO DO POETA

O poeta escreve o mundo.
Do jeito que o percebe.
Escreve os fatos da vida
Escreve coisas do dia
Escreve a vida dos outros 
E seu eu-lírico solto
Fica perdido na rima

O poeta, nunca quer ser poeta.
Não acredita em seus versos.
Pensa que escreve por prazer.
Mas, na verdade. 
Faz parte do seu SER.

Não tem prazo de validade.
Não tem como dizer o por que.
Não tem hora que acabe
Pois sempre é hora de escrever.

A inspiração pode vir de dentro.
Pode vir de uma criança correndo.
De uma tristeza da vida.
De um canto doutro dia.
Que da um rugido lá dentro...
E o poeta faz poesia.
Sem saber que estar fazendo.

A memória mais distante
Ele traz de um mundo adiante
E declama o seu momento.

O poeta é fingidor
(Já dizia ele em Pessoa)
Muitos dizem que não sente.
Ou as vezes sente muito
Tem gente que diz que mente!

Mas a verdade é relativa.
E a verdade do poeta, 
Sempre vira poesia.

Vira rima e lirismo
Vira canções do dia a dia
Vira a vida de outras gentes
Que ao ler o que o poeta sente
Sente junto e sente muito.

A vida um pouco demente
De um poeta absurdo
Que escreve seus amores
Da forma que lê o mundo.







CHAMADO

Vem cá.
Segura minha mão.
Vamos passear na esquina.
Sem medo da solidão.

Das coisas que tu sente
E guarda só pra si.
Da culpa e arrependimento
Que dizes não sentir.

Me dá um beijo.
E vem correndo
Que eu vou já me despir!
Vem, pro meu corpo adentro
Deixar a cama cair.


23062019

Quando te faço perguntas discretas
Essas que você pensa, dispersas.
Eu te olho como pai.
Que talvez um dia quis ter
Mas não tive o prazer
Da paternidade desfrutar.

Hoje eu tenho você
Que às vezes faz esse papel
Por mais que não queira o fazer.
Está em teu sangue...
Está em teu ser.

Te perguntar sobre a vida
Me deixa sempre pensativa.
Das tuas repostas, faço poesia.
E me ponho a questionar
Que deveras ser a vida?

Carrego um amor no peito
Já carimbado de outras vidas!
Podia estar escrito nas estrelas
Ou em outra aurora despida.
Nesse céu entregue aos zelos
Da divindade que agoniza.

Ás vezes o desespero 
Toma conta da rotina.
Quando paro pra pensar,
Que crescer dói.
Como disse a poesia:
"Não dá para entender. Não vou ser. 
Vou crescer assim mesmo. 
Sem ser Esquecer"
Drummond já dizia.

E dessa agonia de ser
É que pergunto todo dia
As questões que faço a você.
E pra piorar mais ainda
Eu amo tanto você!

E eu quero te dizer
Que se for pra ser 
Será assim como for.
Seja em versos ou canções
Seja em prosa 
Seja escondido numa roça
Ou num prédio sem cor
Seja em lugar nenhum
Mas vai sempre ser amor.

E por mais difícil que seja
Ser entregue junto a dois
Foi assim que você veio
Junto à q.u.a.t.r.o corações
Que batem fora do teu peito.